Soft signage: uma tendência que chegará ao Brasil

Por Ricardo Pi

Possivelmente você já tenha ouvido falar em soft signage. Caso não tenha, fique atento, porque ela se refere à próxima tendência dentro das aplicações de comunicação visual.

Com o mercado cada vez mais pressionado pelas necessidades de uso de mídias sustentáveis, o soft signage – que é um subgrupo de aplicação da sinalização, porém, com mídias impressas digitalmente em tecidos, não em lonas – já vem avançando a passos largos em países como EUA e nações da Europa Ocidental. Além de mais amigável ao meio ambiente (se compararmos à maioria dos substratos usados para a comunicação visual atualmente) a sinalização em mídias têxteis também apresenta outras vantagens: é mais fácil de ser transportada e armazenada, é mais flexível, lavável tem durabilidade superior.

O método de impressão também é mais sustentável. É possível imprimir digitalmente usando tinta dispersiva (impressão direta) ou através de tecnologia sublimática (impressão em papel e posterior transferência para o tecido). Esses dois métodos são diferentes e importantes de serem compreendidos, pois impactam no custo total de produção.

Quando falamos da impressão em papel e transferência para tecidos via tecnologia sublimática, há a  possibilidade de se trabalhar com uma gama maior de tecidos, inclusive, tecidos mais baratos com uso de menos tinta. Porém, há o custo do papel. No caso da impressão direta em tecido, há a necessidade de um pré-tratamento e uso de maior quantidade de tinta.

Escolher entre essas duas tecnologias depende do perfil do empresário, do custo do tecido com que trabalha e, claro, o uso final da mídia para comunicação. 

Ainda do ponto de vista da produção, a impressão em tecido é visualmente mais atraente, com cores mais vivas e possibilidade de se obter imagens com melhor definição. Além disso, a praticidade para se produzir e enviar para clientes é muito maior, inclusive pelo correio – em um país continental como o Brasil, ou em uma megalópole como São Paulo, isso faz bastante diferença em termos de custo de logística.

A instalação é mais fácil e o produto final é mais leve – gerando uma economia maior na cadeia produtiva como um todo.  Reutilizar o material em tecido também é mais simples e viável, ao contrário da lona, que, uma vez dobrada, fica inevitavelmente marcada.

Backlight e aplicações externas

As aplicações com blacklight já estão bastante em voga no Brasil, principalmente em pontos de venda, eventos e shows. Com apelo visual impactante, esse tipo de ação também ganha novos contornos com o uso de tecidos, com uma translucidez muito maior, o que deixa o produto final mais atraente. Afinal, esse é objetivo de toda comunicação visual! (isto é, chamar a atenção do observador e gerar interação com a marca do cliente).

Em relação à produção de outdoors, as aplicações em tecido também têm seu espaço garantido. Até pouco tempo, havia algumas limitações tecnológicas, mas, hoje, graças ao uso de uma nova geração de tintas pigmentadas com durabilidade maior, produzir sinalização externa em mídias têxteis, com durabilidade e qualidade (muitas vezes, até superior), é algo real.

Por que não, Brasil?

O parque de produção para comunicação visual é, majoritariamente, composta por equipamentos voltados à produção em lona, inclusive em escala industrial. Também notamos, aqui, um grande número de empresas trabalhando ainda com o uso de solvente em larga escala (o que, na Europa e América do Norte, já está proibido).  Quando observamos o segmento industrial, vemos ainda uma boa presença dos equipamentos UV.

Migrar para equipamentos de produção industrial em tecidos exigiria a atualização de boa parte desse parque fabril, o que, por consequência, gera custos. Talvez este seja um dos (senão o maior) obstáculo para a popularização do soft signage no Brasil. Hoje, existem pequenas plotters que imprimem em papel com possibilidade de transferência em tecido através do uso de uma calandra grande (de alto custo), mas que não atendem à demanda das aplicações de pontos de venda, que demandam máquinas maiores – tipicamente, aplicações que fazem parte do segmento industrial de produção.

Além disso, o preço do tecido é maior do que o das lonas convencionais (muito mais baratas).

Atualmente, no Brasil, esse mercado de soft signage para comunicação visual corresponde cerca de 5%. Nos EUA, por exemplo, o market share da Durst é superior a 70%.

Contudo, é fato que, cedo ou tarde, também aqui as aplicações com tecido para comunicação visual irão crescer – e, quem sair na frente, estará mais bem preparado para vencer.

Segundo estudo feito pela Smithers Information (2016), relativo a previsões para o mercado de impressão digital têxtil até 2021, o Brasil é o principal mercado no mundo quando se pensa nos países emergentes (em um contexto que exclui Europa Ocidental, Ásia e América do Norte). Com mais de 200 milhões de habitantes e um parque industrial e comercial amplo e diversificado, o país lidera as projeções de crescimento em seu grupo – crescimento este que prevê uma porcentagem de 16,1% (mensuração desde 2014) equivalente a um consumo total para 31 milhões de metros quadrados até 2021.

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