Escrito por: Redação GF+ | Data de Publicação: segunda-feira, 16 maio, 2016

Tudo Sobre Impressão em Tecidos | Vinícius Timi fala sobre adequação técnica

Demonstrando as principais diferenças de impressão o administrador da empresa Print Expert Soluções Digitais e coordenador dos cursos técnicos do Centro GF Profissional, Vinícius Renato Timi, fala um pouco mais sobre os empecilhos tecnológicos que os bureaus interessados em se adaptar ao mercado de tecidos precisam enfrentar.

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Quais as principais diferenças entre a impressão digital tradicional e impressão em tecidos por método sublimático ou direto?

Em qualquer tipo de impressão temos 3 elementos bem específicos para saber: um elemento impressor, um substrato ou mídia a ser impresso e um tipo de tinta. No caso da impressão digital tradicional e que já é conhecida pelos profissionais da área da Comunicação Visual temos sempre a presença destes três elementos, nesse mesmo caso temos: um elemento impressor constituído por uma impressora digital a jato de tinta; um substrato ou mídia a ser impresso: constituídos por matérias flexíveis e rígidos tais como aqueles que são fabricados tendo como base o PVC e que são as lonas, o vinil adesivo e os tecidos com tratamentos especiais à base de PVC.

Também temos o papel, a madeira, os metais, além de vidros, cerâmica, borrachas e, por fim, um tipo de tinta, que para a impressão digital tradicional temos os sistemas de tintas à base de água com corantes ou pigmentos, base de água e látex, solventes e pigmentos e o sistema de tintas UV. Note que entre os substratos indicados nos sistemas mencionados aparece o tecido. Entretanto este tecido para ser impresso recebe um tratamento especial que fará com que o mesmo possa receber os tipos de tintas também mencionados anteriormente. Podem estes tecidos ser utilizados no segmento têxtil? Ou seja, podemos por exemplo fabricar roupas com tais tecidos?

A resposta é não. Por que ocorre isto? Porque conforme já foi dito os tecidos para serem impressos pelos sistemas tradicionais necessitam de um tratamento e isto tem suas consequências. O tecido fica mais encorpado e perde seu caimento natural dificultando usá-lo para a confecção de vestuários. A existência de uma gama tecidos formados por vários tipos de fibras diferentes dificulta este processo e o encarece. Além disto as tintas utilizadas nos processos tradicionais de impressão digital podem provocar alergia em algumas pessoas mais sensíveis e, portanto, é proibido o seu uso em materiais que irão entrar em contato com a pele humana. Embora atualmente algumas pessoas vendam produtos para confecções usando tintas à base de solvente ou UV, isto é um erro.

 

SISTEMA DE IMPRESSÃO POR SUBLIMAÇÃO

Mais adequado ao processo de impressão em tecidos destinados ao mercado têxtil é o sistema de impressão por sublimação. Mas o que é sublimação?

Sublimar significa passar do estado sólido para o estado líquido sem antes passar pelo estado gasoso. Só para compreendermos podemos utilizar o gelo como exemplo clássico. O gelo é água no estado sólido, mas seu eu quiser evaporar o gelo devo primeiro aquece-lo e isto fará que ele passa do estado sólido para o estado líquido. Ao continuar aquecendo agora a água em seu estado líquido aos poucos ela irá passar para o estado gasoso ou de vapor. O processo de sublimação ocorre quase da mesma forma, mas ao invés de possuir as 3 etapas do gelo usado no exemplo, neste processo é como se o gelo passa-se do estado sólido diretamente para o estado gasoso sem passar pelo estado líquido. Assim sendo os pigmentos que compões a tinta sublimática são sólidos e quando expostos a uma temperatura normalmente de 195 a 205 graus centígrados pelo tempo de 20 a 30 segundos tais pigmentos deixam seu estado sólido e passam imediatamente para o estado gasoso, ou seja, se transformam em vapor o que lhes propicia penetrarem nas fibras do tecido se fixando permanentemente a elas e adquirindo cor.

Diferente do sistema tradicional de impressão digital o sistema de impressão sublimático exige algumas etapas adicionais em seu processo pois enquanto o sistema tradicional depende de 3 elementos básicos, aqui temos 5 elementos básicos.

1. Um elemento impressor. A impressora que pode ser fabricada especialmente para o mercado têxtil, ou adaptações de boa qualidade.

2. Um substrato que é o tecido, mas que não irá receber a impressão direta como ocorre com a impressão tradicional. Neste caso tem de se levar em conta os tipos que podem ser impressos.

3. Uma tinta.

4. Um substrato base que será impresso no lugar do tecido

5. Uma prensa que irá posteriormente termo transferir a imagem para o tecido.

 

Para as empresas cujo volume de impressão justifica o uso de calandras pode ser mais produtivo pois a prensa independentemente de seu tamanho somente pode prensar e sublimas tecido cortado, já a calandra permite prensar e sublimar o tecido ainda em rolo. Neste caso o processo é mais demorado, exige materiais adicionais e necessita de um tempo maior para a sua finalização.

Normalmente este sistema é indicado para a impressão de tecido à base de fibras poliéster que podem estar entre no mínimo 30% a 100%. Quanto maior a porcentagem do poliéster melhor o resultado. Sempre é importante observar que embora quase todos os tecidos possam ser sublimados a questão qualidade deve ser lavado em conta. Assim sendo os tecidos de poliéster recebem um tratamento especial que aumenta a qualidade da impressão. Mas ao contrário do tratamento mencionado anteriormente este é eliminado do tecido após a sua lavagem. Entretanto nem todos os tecidos podem ser impressos por sublimação.

O algodão é um bom exemplo, sendo um material nobre e largamente utilizado na confecção de roupas e em especial de camisetas que são a base ideal para receberem toda sorte de estampas, quando impressos pelo processo sublimático apresentam baixa densidade de cor, ficando as mesmas normalmente opacas, além de dificuldades de fixação. Isto ocorre não somente devido às características das fibras do algodão, mas também dos diversos tratamentos que o algodão recebe para ficar branco e macio. Hoje este problema vem sendo contornado pelo processo de impressão direta.

SISTEMA DE IMPRESSÃO DIRETA

No sistema de impressão direta temos a possibilidade, como o seu próprio nome diz, de imprimir diretamente sobre o tecido. Neste caso temos de fazer ainda uma divisão da tecnologia: a impressão direta com sublimação e a impressão direta sem sublimação.Na impressão direta com sublimação o sistema opera igual ao sistema tradicional de impressão, ou seja, a tinta é depositada diretamente sobre o tecido. Em seguida este passa por um forno que irá fazer o mesmo trabalho da prensa ou da calandra. Já para a impressão direta sem sublimação a tinta é depositada diretamente sobre o tecido (normalmente algodão).

Neste caso, o processo é idêntico ao tradicional, ou seja, não existem etapas adicionais. O detalhe fica por conta de que alguns tecidos e em especial os de cores escuras necessitam de um tratamento (prime) que é aplicado um pouco antes da impressão ser realizada. Uma empresa que tem impressão tradicional conseguirá se adequar tecnicamente com facilidade? Depende, se a empresa é um fabricante de banner, fachadas e deseja entrar no mercado têxtil tem de pensar algumas coisas.

1. Sei trabalhar com tecidos?

2. Qual parcela de mercado quero atuar? Pois o mercado têxtil é bastante amplo.

3. Vou produzir materiais para brindes, decoração ou mesmo cenografia?

4. Vou produzir vestuário?

5. Vou produzir camisetas apenas?

6. Quais equipamentos devo comprar?

7. O que devo o esperar durante o processo de adequação?

Para a pergunta 1 você deve analisar o seu conhecimento sobre os vários tipos de tecidos e se o seu conhecimento não for muito grande neste momento sugiro ler bons livros a respeito deste assunto e em especial os de origem indiana, italiana e coreana. Nunca entre em um mercado que você não conhece ou apenas pensando em ganhar dinheiro. Primeiro aprenda e depois invista. Há também bons consultores sobre esta área atuando no Brasil.

Para a pergunta 2 você deve dar como resposta exatamente qual é a sua intenção. Nem sempre é possível fazer tudo. Você pode imprimir camisetas com relativa facilidade, mas a impressão inteira de uma coleção inverno verão já é bem diferente. Ter em mente qual parcela de mercado você deseja atingir fará com que mantenha o foco do negócio e adquira os equipamentos e a mão de obra correta.

Para a pergunta 3 é possível que o processo tradicional de impressão já possa atender a sua necessidade. Pois tais áreas normalmente são menos exigentes quanto aos tecidos e há baixo contato físico com as peças impressas.

Para a pergunta 4 é necessária uma reflexão. Vestuário demanda produção e é destinado para as confecções que utilizam os métodos convencionais de impressão em serigrafia ou offset, mas desejam migrar para o processo digital. Estas empresas que já estão inseridas no mercado têxtil, já possuem conhecimento de tecido e de processos e a migração será muito mais suave.

Para a pergunta 5 a resposta deve ser provavelmente: vou. Sim a grande maioria pensa no mercado têxtil como produtor de camisetas impressas. E por ser um mercado de grande aceitação tem muito espaço para se atuar nele. Mas mesmo sendo um mercado mais fácil de se adaptar é necessário conhecimento sobre o processo e os equipamentos que irá precisar. Mas não se iluda, pois, mesmo o investimento para um sistema piloto pode ficar em alguns milhares de reais, algumas impressoras de impressão direta (DTG) podem ser vendidas por valores mais altos do que impressoras tradicionais.

Para a pergunta 6 as respostas variam. Se você vai imprimir camisetas uma boa impressora DTG com impressão direta deverá resolver o seu problema, mas se for imprimir em poliéster a sublimação deve ser a solução mais apropriada para pequenos volumes e mesmo que sua produção seja de grandes volumes você poderá optar por impressoras maiores e prensas ou mesmo calandras maiores. Já a impressão direta sobre poliéster pode apresentar muitos tipos de problemas e é preciso estar atento a isto. Outras fibras tais como seda e poliamida já necessitam de tintas especiais para serem impressas.

E, finalmente, para a pergunta 7 você deve esperar que o processo de adaptação traga com ele algumas dificuldades. Mas acima de tudo lembre-se de que todo processo tem a sua curva de aprendizagem. Talvez você não acerte de primeira, mas o segredo é não desistir. Erros irão acontecer por que isto é natural em qualquer novo investimento. Por este motivo volto a insistir: buscar bons consultores irá lhe poupar tempo e dinheiro.

Quais são as vantagens e desvantagens dos processos de impressão sublimáticos e diretos?

Cada qual tem suas próprias características e podemos dizer que elas são totalmente dependentes delas. Assim sendo o processo sublimático por termo transferência é menos custoso em termo de equipamentos, mas demanda maior número de passos no processo o que encarece um pouco o produto final.

Já o processo direto tem equipamentos com custo mais elevado, pois só para compararmos uma impressora com largura de 1,65 a 1,80 pode ter valores que variam de 30 a 50 mil, uma prensa fica em torno de 3 a 20 mil e uma calandra por volta de 45 mil.

Pode encontrar equipamentos mais baratos ou mais caros, há opções no mercado. Já uma impressora DTG no formato A3 para impressão direta pode atingir os mesmos 30 a 50 mil ou mais dependendo do fabricante ou tipo de tinta que utilizar. Porém o serviço é realizado sem etapas adicionais, o que resulta em uma produção final mais rápida. Eu diria que neste momento os dois sistemas precisam conviver lado a lado, porque cada um atende a um tipo especifico de necessidade.

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